domingo, 15 de junho de 2014

Mário Quintana

Eu escrevi um poema triste Eu escrevi um poema triste E belo, apenas da sua tristeza. Não vem de ti essa tristeza Mas das mudanças do Tempo, Que ora nos traz esperanças Ora nos dá incerteza… Nem importa, ao velho Tempo, Que sejas fiel ou infiel… Eu fico, junto à correnteza, Olhando as horas tão breves… E das cartas que me escreves Faço barcos de papel! ( Mario Quintana ) Sinônimos Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor. ( Mario Quintana ) * Poema Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos… ( Mario Quintana ) * O Trágico Dilema Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro. ( Mario Quintana ) * Bilhete Se tu me amas, ama-me baixinho Não o grites de cima dos telhados Deixa em paz os passarinhos Deixa em paz a mim! Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda… ( Mario Quintana ) (Poema publicado originalmente no livro Esconderijos do Tempo, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 474) * Os Poemas Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti… ( Mario Quintana ) (Poema publicado originalmente no livro Esconderijos do Tempo, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 469) mario-quintana

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